SALVAR A VIDA NA TERRA É PRECISO

 

Escrevemos este texto partindo de nossas visões, lembranças e conhecimento já adquiridos. Não é uma tese acadêmica, portanto pode se mostrar mais leve e de interesse de crescente número de pessoas.

É indispensável o engajamento de todos nessa empreitada. Cada um deve participar, da forma que puder, para que tal cruzada tenha sucesso.

Este documento procura ser um ponto de partida para caminhadas mais longas no campo ambiental.

José Fantine,Manfredo Rosa,Brasil, 24 de abril de 2019

LEMBRANÇAS E MEIO AMBIENTE

Na década de 1970, quem viajava de avião passando sobre a Floresta Amazônica podia contemplar toda aquela admiravelmente colossal opulência. Em um voo de Brasília para Manaus, a aeronave nem bem deixava o Distrito Federal e, em poucos minutos as presenças humanas da capital e suas cidades satélites cediam lugar para um encadeamento maravilhoso de mais de duas horas de visão da linda Floresta que parecia intocada. Manaus e todas as demais aglomerações da época estavam contidas pelas matas. Diante de tal fantástica exuberância nativa podia-se ser otimista: “Impossível que ela um dia acabe”.

Decorridas apenas duas décadas, cumprindo o mesmo percurso, para espanto geral, o avião ao sair de Brasília já somava então uma boa hora para alcançar o domínio da floresta. Parte dela fora tomada, em extensas áreas, pelo chamado agronegócio. Um susto. Observando esse surpreendente avanço da fronteira agrícola, lendo os comentários sobre a Floresta e navegando na Amazônia através do Google Earth o coração se aperta e a sensação é bem outra: “Ela pode ser destruída para sempre”.

Lá pelos longínquos anos, Sabará (MG), situava-se em meio a uma floresta. Na década de 40, ainda contava com matas residuais enfeitando suas montanhas. Vários cursos de água cortavam a região. Um dos dois rios que banhavam a “terra de Borba Gato”, o Rio Sabará, abrigava apetitosas piabas. O outro, o Rio das Velhas, em parte fora navegável em tempos coloniais, mas já não abrigava vida embora caudaloso. Para quem conheceu a cidade naquele tempo deve se lembrar dos folguedos da criançada nadando neles. Saltavam da alta ponte da linha férrea, pois a linfa abundante amortecia a queda. É verdade que ambos já carreavam indesejável poluição, resultante, seja da livre operação da Mina de Ouro de Nova Lima e da Siderúrgica da cidade, como também pela falta de esgotos. Contudo, ainda assim eram a piscina da garotada na abundância de água que neles corria. O famoso citado Rio das Velhas, era especialmente perigoso exigindo boa coragem para nele entrar, e causando admiração e inveja da criançada ao assistirem as façanhas de uns poucos e destemidos jovens que se aventuravam a domá-lo. É bom lembrar, também, que no entorno da então pequena cidade, em todas as centenas de vales dos morros que se encontravam corriam generosos córregos que brindavam a todos com piabas e pontos para um refrescante banho.

Atualmente, Sabará exibe outra feição, não tão romântica. Vários de seus morros foram tomados por loteamentos. Além disto, as matas e as áreas verdes, pouco a pouco, foram sendo engolidas, ou por siderúrgicas na forma de carvão vegetal, ou como lenha para consumo doméstico ou, ainda, em queimadas para criar áreas de pastos e de pequenas lavouras. Os córregos, ou minguaram ou secaram por falta das matas que lhes abasteciam. Uma ou outra carrocinha de “delivey” do leite ou de materiais de antanho, foi substituída por milhares de caminhões, automóveis e motocicletas. Eles estão em todo lugar. Sem ar puro, na carência da água boa cada vez mais difícil, e sobrando concreto, calçamentos e asfaltos em todos os cantos, a qualidade de vida se esvai. O clima mudou, as frutas e os pássaros já pouco se vê. As belas jabuticabeiras, com seus divinos frutos, que davam fama à cidade, viram estorvo naqueles que eram generosos quintais. E vão dando lugar a mais casas, mais prédios, mais loteamentos para o “bem do progresso”.

Essa descrição da “terra das pepitas brilhantes”, de ouro que já não existe mais, está destacada porque é o torrão natal de um dos autores. Porém, história equivalente é escrita por centenas de cidades do nosso Pindorama. É um retrato vivo, imagem do que acontece na maioria delas, bem como nos centros urbanos de todo o mundo.

De fato, outro autor deste texto é natural da também mineira Araxá. Seria uma rima com Sabará, mas, muito infelizmente, não é uma solução. Lá na terra da Dona Beja, a atividade mineraria atua avidamente sobre riquíssima jazida de nióbio passando por cima de talvegues antes cobertos de verde botando abaixo suas matinhas, secando nascentes, arrasando a cobertura vegetal e, com elas a fauna e a flora. A área devastada é maior que a ocupada pelo espaço urbano que não é nada pequeno, pois abriga mais de cem mil sobreviventes. A planta mineradora conta também com sistema de contenção de rejeitos, instalação tão importante no processo de produção porque atua em favor da preservação ambiental, mas, que no Brasil, agora submetida à furiosa ânsia de lucro, barragem vai se transformando em sinônimo de medo, angústia, risco de vida. Veículos? Sessenta e cinco mil no arredondado. Na média, cada família de quatro pessoas conta com dois deles para circular pelas ruas, expulsando a criançada que antes lá brincava livremente.

E fica assim, um imenso e sinistro relato, apontando para a inviabilização da vida na Terra caso não sejam tomadas medidas que a impeçam.

Fechando esse preâmbulo, importa falar de outro vetor de maldosa e cruel devastação. No Brasil, cerca de 1/3 das casas ainda não contam com esgoto sanitário adequado, e aproximadamente 1/6 delas não dispõe de água encanada. Uma residência neste precário padrão pode trazer até a morte para os moradores e, ainda, a disseminação de doenças, sendo as crianças as maiores vítimas. Um terreno contaminado por esgotos ou produtos químicos ou agrotóxicos, pode ter inviabilizada a sua utilização para construir moradias e para o uso para hortas e frutíferas – e áreas imensas se encontram nesta situação.

Enfim, uma cidade sem árvores, sem espaços de mata, sem infraestrutura sanitária, ou com fábricas poluidoras, pode se tornar um lugar horrível para morar, quando não, pior, um cemitério abandonado.

A DESTRUIÇÃO DA NATUREZA

Um país que liste muitas cidades na situação descrita anteriormente, que queime muita lenha ou carvão ou petróleo, que não se preocupe com o desmatamento, nem com o uso dos agrotóxicos, nem com a poluição do ar, condenará seus moradores a uma vida de doenças crônicas e a morrerem precocemente.

No Brasil, a Mata Atlântica está reduzida a menos de 10% e os rios que dela dependem secam. No Cerrado, as regiões que já eram mais áridas, foram total ou parcialmente desmatadas em função da pobreza local. O Pantanal, essa riqueza ímpar, está sendo destruído. A Floresta Amazônica, que equilibra o clima nacional e mundial e traz nossas chuvas, desaparece para dar lugar aos pastos e à soja. Os seus rios estão sendo poluídos com agrotóxicos, mercúrio e outros minérios da exploração predatória. E os seus peixes, ao mesmo tempo em que começam a se contaminar com esses elementos, vão se escasseando.

Feitas as contas, uma agressão ambiental prejudica a todos para beneficiar uns poucos. E sempre há a desculpa que é para o bem de todos (por exemplo, grandes culturas para alimentar a população [1]). E quando já no estágio de pobreza, as comunidades não dispondo de mais recursos acabam com o pouco que têm de áreas verdes e água, queimando a lenha residual. O que ocorre no Brasil é então um desenvolvimento não sustentável, isto é, lá no futuro, cada vez mais substancial parcela da população viverá na miséria ambiental e talvez na miséria econômica. No Nordeste, no Pantanal e na Amazônia, e mesmo no Sudeste e no extremo Sul os desertos poderão ser as presenças marcantes, cada vez mais inviabilizando a sobrevivência da espécie humana ou mesmo ameaçando a vida como um todo.

Extrapolando para dezenas de outros países, vemos que o Planeta Terra tornar-se-á inabitável, no rastro do falso progresso que traz a poluição sem controle, o desmatamento sem fim, a contaminação definitiva do mar, do ar e dos terrenos.

Muitos rios e lagos de água doce estão a secar e faltará água para beber e para plantar. As matas estão a acabar e com elas a biodiversidade que traz o equilíbrio da vida. No lugar delas, a desertificação toma conta de tudo. A queima de matas e de centenas de milhões de toneladas de petróleo e carvão e o lançamento de milhões de toneladas de produtos químicos na atmosfera todos os anos torna o ar diferente do original, irrespirável. Já vemos na televisão, moradores de cidades poluídas utilizando mascaras, uma tendência de “moda de vestuário” que poderá nos alcançar a todos. Mas, este não seria o problema principal.

A INVIABILIZAÇÃO DA VIDA HUMANA

Infelizmente, essa contaminação que nos ameaça diretamente se perto dela estivermos, também vem agravando o Efeito Estufa, ou seja, o adensamento da camada de ar e gases poluentes em volta da Terra, segurando mais ainda o calor que aqui chega pelas ondas do Sol. Cada vez mais cientistas concordam que há influência da atividade humana sobre o referido efeito e, também, que a cota de participação antrópica presente no fenômeno vem aumentando ao longo do tempo. O excesso de calor sem se dissipar no Espaço faz a temperatura média da Terra aumentar. Ela vem crescendo progressivamente e as desgraças virão planetariamente para todos [2].

Este aumento implica em elevar o nível do mar, por conta de derretimento das geleiras dos Polos e das montanhas antes sempre geladas, invadindo o território continental. Muda o clima e se o Efeito Estufa não for contido (mantendo-o dentro de limites aceitáveis) acabará com a vida na Terra tantos serão os cataclismos e a dureza climática.

https://www.sobiologia.com.br/conteudos/jornal/noticias3/ozonio.jpg

Além de tudo isto, vários entre os gases jogados na atmosfera reagem com o ozônio (O3) que forma a camada que envolve a Terra nos protegendo dos raios solares da faixa ultravioleta e a destroem [3]. Ou seja, sofreremos mais ainda, agora com o câncer de pele. Por outro lado, o mar, que seria uma das esperanças para a nossa alimentação e respiração ameaçadas (é o maior produtor de oxigênio), torna-se pouco a pouco um ambiente enfermo e poderá ficar estéril. Isto porque, poluindo as terras, os rios e o ar estamos matando também os oceanos com os venenos e detritos que para lá são levados, além dos arrastados diretamente das cidades costeiras. E, ainda, nele jogamos os esgotos de nossa civilização.


A ESSÊNCIA HUMANA

Nesse quadro de degradação ambiental a figura expoente certamente é o próprio homem, praticando essa nova relação com a natureza, de depredação em favor do consumismo, esse comensal ventripotente de mercadorias, na verdade exaurindo nossas riquezas e o Ambiente.

No texto “A Essência Humana e o Meio Ambiente”, que circula em conjunto com este trabalho, dele fazendo parte por conta de profunda identidade, é apresentado um resumo das características desse homem atual, submetido à ânsia de ter as coisas. A mercadoria impõe a ele uma vontade não discutida previamente se de fato lhe interessa, se ela é autenticamente sua. Em continuação, o texto alinha os prejuízos éticos dessa ordem de comportamentos, os empecilhos que essa atitude carreia para a convivência social e as perdas espirituais resultantes da aquisição desse tipo de consciência. Finalmente, as considerações do referido texto destacam a ideia de que este estado de coisas, efetivamente não pode continuar. Reforça a percepção de que é preciso um amplo e urgente esforço de mudança de atitude, pois que, certamente, o homem não pode ser reduzido a um mero consumidor de natureza.

De outra forma, sob a luz da longa história da nossa espécie, damos conta que vários tipos de “homo sapiens” já habitaram a Terra, no sentido geral de como cada um deles reproduziu e entendeu a vida e, em especial, a maneira como se relacionou com o meio ambiente, dele extraindo o seu sustento. Observando esse longo caminhar, sem entrar no mérito de quem foi mais feliz, é razoável pensar que, bem ou mal, com eventuais retrocessos, a humanidade avança. Inadmissível pensar que não podemos melhorar sempre, ou que o ponto onde nos encontramos é o ápice possível, o tal do fim da história. Na outra mão, também não seria falso pensar que vivemos um dos retrocessos mais marcantes da nossa trajetória e que, muito certamente, pelo menos do ponto de vista da questão ambiental, ele é o mais profundo.

MAS, HÁ ESPERANÇAS. SIM.

“Os veleiros, talvez a metáfora mais universal de algo poderoso, mas bonito, tomam a sua potência da natureza; sabem onde querem chegar, mas aceitam navegar nas contingências e na incerteza; quase não produzem externalidades; estimulam a criatividade de todos os seus tripulantes, pois impulsionam o esforço conjunto, o risco e a inventiva. Baseiam-se na destreza e não na força. Adquirem velocidade pela qualidade e não pela quantidade. São projetos ambientais de uma cultura ambiental. É a melhor imagem que propomos para a mudança.” Rubén Pesci

Pensando na evolução da contaminação dos espaços individuais, coletivos e planetário, o mundo se mobiliza para reverter esta tragédia anunciada. Assim, vemos surgir a consciência cidadã que pensa em vida sustentável, ecológica, que abomina o desperdício e a produção e uso de “venenos” dissimulados na alimentação e nos objetos de uso pessoal ou comunitário, como agrotóxicos, aditivos, corantes, petróleo etc. Embora essa movimentação individual por si só não seja suficiente, constitui-se, contudo, em uma ajuda notável e é uma maneira de conscientizar a todos sobre a importância da vida natural, diversificada e respeitosa em relação ao meio ambiente. É a reação do indivíduo que repercutirá nos fóruns dos que detêm maior poder de influência sobre o destino do mundo.

Importante ressaltar que seguramente milhares de movimentos no Brasil lutam contra a degradação ambiental. No mundo, ações se multiplicam. Em 2018, uma jovem, a Greta Thunberg – começou a chamar a atenção global e conseguiu multiplicar apoios mundo afora no segmento estudantil em defesa do meio Ambiente [4]. Toda esta mobilização traz esperanças, embora os poderes que levam ao desastre ambiental pareçam imunes ao que se passa trazido pelos Veleiros contemporâneos.

Seja por demanda espontânea advinda do crescimento populacional e aumento geral da capacidade de aquisição da população, seja por indução de consumo pelo marketing empresarial do modelo capitalista consumista, o modo de vida atual exigiu o desenvolvimento de imensa produção de bens para uso geral, de agricultura em larga escala, de meios de transportes de produção de energia, de consumismos de milhares de itens todos eles compondo vetores que aumentaram, em muito, os impactos ambientais, nas mais diversas formas.

Assim, bem claro está, a participação e a conscientização individuais são cruciais, indispensáveis, pois criam a demanda cidadã para a solução do problema maior. Porem essa presença somente não resolve direta e inteiramente a problemática. Por esta razão, vêm surgindo vários esforços pelo mundo todo, representados pela atuação de diversas instituições reconhecidas pelo mérito, sendo que, entre elas destaca-se a ação da Organização das Nações Unidas (ONU) [5] atuando de diversas maneiras pelos mecanismos institucionais possíveis, produzindo trabalhos de fôlego de orientação e indicação de providências bem como levantamentos periódicos de acompanhamento. As atividades abrangem a degradação do ar, das terras e das águas, envolvendo as correntes na atmosfera e as marinhas, a elevação geral da temperatura, e o aumento do nível do mar, universalizando os problemas que, então, passaram a ser reconhecidos como um problema mundial, que a todos afeta.

Cientistas começaram a apontar na década de 70 que o Planeta estava em perigo. Daí a ONU capitaneou esforços para discutir a poluição planetária, que sinalizava com o fim da vida animal e vegetal tal como a conhecemos, conforme brevemente descrito anteriormente. Desconfiava-se que o planeta não suportaria a poluição trazida pelo desenvolvimento. Que esse mesmo desenvolvimento não poderia se dar a qualquer custo. Um grande passo na discussão global do tema teve lugar em 1972 quando foi realizada a Conferência de Estocolmo [6]. Esse evento apresentou-se como de extrema importância porque, pela primeira vez, colocou o debate sobre o meio ambiente planetário no centro das preocupações universais e, também, gerou um importante documento internacional, uma Declaração [7], e, ainda, porque provocou, ao mesmo tempo, um choque de conhecimento e uma forte reação de desdém e de certa repulsa dos empresários e dirigentes mundiais em geral.

A partir daí, o assunto passou a ser um dos mais estudados no mundo. Milhares de cientistas de todos os países, progressivamente, foram se agrupando, trabalhando em rede para entender o fenômeno, projetar cenários de como evoluiria o problema, bem como propor medidas, ou seja, o que fazer, para tentar parar a escalada do suicídio planetário que começava a se delinear. Várias constatações nada promissoras já se apresentam agora à vista de todos: o mar sobe e engole ilhas, praias e regiões costeiras, geleiras desaparecem, o clima fica mais violento, a temperatura se eleva e a camada protetora de ozônio sofre abalos.

Neste quadro, a partir de 1972, a ONU patrocinou reuniões mundiais com cientistas e mandatários de todos os países para encontrar os caminhos para evitar o que poderia se transformar em uma tragédia anunciada. Em que pese a carência de decisões unânime e a oposição de poderosos países, algo os moveu para se reunirem e debaterem o assunto, bem como permitir que estudos avançassem.

 

Tornou-se muito difícil e demorado alcançar o consenso, na grandeza que o problema demanda, talvez na dependência de estudos cada vez mais reconhecidamente válidos para afirmar com boa convicção sobre os destinos do Planeta Terra e as relações de causa e feito com as emissões de gases. Cada país, principalmente os avançados, não queria ser tolhido em seu desenvolvimento ainda que poluidor e isto representava uma força contrária na aceitação de tomada de outros rumos. Na outra mão, lutavam para desacreditar os estudos que avançavam lentamente. Por causa de uns, ora por conta de outros, duas décadas se passaram até o encontro em 1992 da ONU no Rio de Janeiro. Daí as reuniões tornaram-se mais frequentes e instrumentadas (ver linha do tempo mais a frente).

Os milhares de cientistas trabalhando em centenas de redes no mudo [8], e graças aos avanços do conhecimento na matéria e da computação de alto desempenho, conseguiram modelar o processo evolutivo destruidor e acordar sobre as consequências da elevação da temperatura terrestre e da evolução da poluição planetária.

No entanto, a busca do consenso no lado prático, de medidas efetivas e muitas vezes custosas, mostrou-se ainda quase impossível. Várias Conferências foram realizadas, mas os acordos finais não resolviam a questão principal – quem fazer o quê e quando [9].

Fonte: http://www.mma.gov.br/component/k2/item/15164-linha-do-tempo-das-medidas-envolvendo-mudanças-climáticas.html

Considerando o que se passou desde 1992, em um parágrafo, podemos dizer que, de um lado, as grandes potências de uma maneira geral e os EUA em especial relutaram em aceitar sua maior responsabilidade na remediação e compensação dos estragos já feitos e, talvez menos ainda, nos esforços de contenção das emissões poluentes, que deveriam então ser até maiores (pois foram e são os que mais poluem). De outro, também, inicialmente China, Índia e depois Rússia e Brasil consideravam que chegara a vez de avançar em seu desenvolvimento econômico e, portanto, iriam poluir mais progressivamente, e não poderiam, sob pena de se manterem na pobreza, concordar em conter as emissões de gases do chamado Efeito Estufa.

Esta política, das economias mais fortes, de aversão à preservação, encontra eco no que aponta Leff, quando fala da “segregação social gerada pela apropriação diferenciada do conhecimento… a marginalização social gerada pelo processo científico e educativo, a superespecialização do conhecimento, a concentração do poder tecnológico e a apropriação privada dos saberes populares, sob os níveis educativos e o analfabetismo das maiorias; a dependência por falta de conhecimento e a alienação por desconhecimento.”

No entanto, a clareza dos estudos e a convicção da classe acadêmica e a evolução para pior das condições climáticas possibilitou o consenso alcançada na Conferência em Paris em 2015, com EUA, China e todos os demais concordando, finalmente, com a responsabilidade adequadamente compartilhada [10].

Tudo caminhava bem, mas eis que nos recentes anos alguns poucos, mas importantes economias, vêm retirando parte de seu apoio (como EUA e Brasil) por questões que cada leitor deve pesquisar e formar sua própria opinião. Ao que parece, estes países não têm dado valor aos quarenta e três anos de trabalhos e ao acordo final de Paris, embora tenham contribuído efetivamente para essa história de esforços, com a participação substancial de seus cientistas e mandatários. Esse posicionamento assume orientação contrária à energia despendida pela comunidade internacional em relação aos temas, Mudanças Climáticas e Direitos Humanos, aos Acordos Nucleares, aos fundamentos da Organização Mundial de Comércio e aos deveres para com as migrações, questões tão sensíveis para o progresso social mundial. Mas, a esperança é de que esses países retomem seus apoios tão necessários, cedendo à diligência cada vez mais intensa da sociedade e dos organismos representativos, na medida da crescente tomada de consciência, cada vez mais organizada e presente sobre a questão. Não o fazendo, candidatam-se à inevitável marginalidade em relação à Inteligência mundial e perceberão crescentes problemas de convívio comercial e diplomático [11].

CONCLUSÃO

Em que pese as idas e vindas de alguns dirigentes e países firma-se uma consciência ambiental e de sustentabilidade universal, da sociedade e acadêmica. A sociedade começa a ficar atenta à questão da destruição da natureza e à insustentabilidade de inúmeras práticas empresariais, políticas e nacionais. A população mundial começa a se incomodar com a desagregação final de dezenas de países, às vezes não distantes de suas terras. Embora ainda incipiente, tudo isto já começa a se refletir nos debates de forma diferenciada em função do grau de humanismo e conhecimento do problema mundial.

Reconhecidamente, o Brasil tem dados passos para assumir um papel importante no contexto mundial em termos de sustentabilidade nacional e mundial. É preciso cuidar de que eventuais mudanças de percepção não influam sobre essa caminhada crucial, trazendo retrocessos. Por isto mantém-se a esperança de um posicionamento cada vez mais firme e consciente dos cidadãos e da mídia em geral a iluminarem o caminho dos governantes.

O ensino, a formação escolar em todos os níveis, mais uma vez, deve ocupar lugar por excelência nesse processo. A situação é muito grave e cede razão às palavras decisivas de Bianchini, “educação é ambiental ou não é”. O mais urgentemente possível, ela precisa desenvolver um conhecimento para além do que pensamos normalmente, pois somente assim poderemos atingir a necessária reapropriação do mundo.

A Agenda 21 [12] destaca a necessidade de “reforçar as bases científicas para realizar uma gestão sustentável”. É o avanço, o enriquecimento do referido conhecimento que permite discutir com propriedade questões como, qual esforço deve ser dedicado à conservação, que padrões devem ser estabelecidos para a produção, tanto dos bens como dos rejeitos, que riscos para a saúde são aceitáveis, até que ponto podem ser alterado o meio ambiente, em especial as florestas, a água. Leff, bem resumiu ao considerar que a crise ambiental é, sobretudo, um problema de conhecimento adequado da complexidade da questão.

Jorge Osório Vargas, por sua vez, entende que a aprendizagem ambiental, entre outras perspectivas, deve:

  • Propor a reconstrução da relação entre o ambiente e as relações de poder das instituições públicas, educativas e culturais e criar dispositivos pedagógicos democratizantes;
  • Revitalizar a democracia como horizonte cultural e como conjunto de procedimentos para resolver pacificamente os conflitos como condição de sustentabilidade do desenvolvimento humano;
  • Propiciar uma expansão de autonomia moral e impulsionar os sujeitos a enfrentar responsavelmente os dilemas éticos que afetam o conjunto da sociedade: meio ambiente, justiça de gênero, inter e multi-culturalidade, entre outros;
  • Propor valores, ações e formas de intervir socialmente na ordem prevalecente para conseguir a sua transformação; elaborar finalidades, objetivos e conteúdos e formas de concretizá-los.”

E conclui de forma brilhante ao dizer que o “ambiente” é um campo de disputa. Assim também o é a “aprendizagem”.

Ao final de tudo, não há como negar que estamos iniciando uma era da verdade. Os povos sentem que a vida melhor no futuro para os filhos, netos e descendentes em geral parte das ações individuais, empresariais e políticas. E que ninguém tem o direito destruir o Planeta Terra. (E será melhor que entendamos com isto que nós é que estamos ameaçados). Nações poderosas lançam projetos de vida em outro lugar alhures, estações de humanos vivendo em Marte ou um uma lua qualquer de Júpiter, algo assim. Faz sentido, eles repetem no cosmos a percepção utilitária que os guia aqui na nossa casa. Na lógica do dinheiro sem medida, tudo isto que se vê pode ser descartado. Quem não habita de fato o lugar, não tem conhecimento para construir seu ambiente por ali, e a comodidade da solidão lhe cabe bem. Contudo, bem outra é a história cá no nosso mundo real, da reprodução da vida pelos homens reais, comuns. Entre nós, urge o avanço para uma consciência que leve à formação de agentes ativos de transformação do ambiente, capazes de enfrentar essa seara imensa, em toda a sua complexidade e, ainda, estar apto também a rechaçar, com toda a convicção, aquele cinismo que declara que as utopias estão extintas.

Rubém Pesci se alinha com essa mudança de paradigma, considerando tratar-se de “elemento sensível para o qual convergem, hoje, as preocupações do pensamento de vanguarda, alertando sobre a crescente insustentabilidade dos ciclos e da trama da vida, ante a ignorância ou manipulação intencionada de cada fragmento deste pensamento.” Para o mesmo autor, “trata-se, definitivamente, de um compromisso integral com a vida, não somente intelectual, mas também sensorial; vida que é a natureza em todas as suas formas: homens, plantas, animais, geosfera e biosfera. Somente neste compromisso integral radica a solidariedade, que não é outra coisa que a compreensão de ser parte dos ciclos da vida, assumindo a necessidade da diversidade e as articulações que garantam sua inter-relação.”

Felizmente, a sociedade começa a entender que além das medidas de grande porte anunciadas, como acabar com a queima do carvão ou do petróleo, ou reverter o desmatamento e reflorestar, é preciso submeter às necessidades da vida todos os tipos de poluição, a saber, da terra, do ar e das águas. O saber ambiental se desenvolve em nova ética, consolidando novos valores e internalizando novos saberes. Contar com modo de vida sustentável, pleitear ou exigir um desenvolvimento sustentável, garantir uma reprodução da vida sustentável, é projetar, a partir de hoje, rumo a um futuro próximo de vida individual, coletiva ou planetária cada vez melhor para todos. E ao participar ativamente desta luta pela sobrevivência, o homem ator da história, pouco a pouco, também se transforma. Na nova relação com a natureza ele, inevitavelmente, desenvolve uma nova consciência. Será um novo homem para um mundo novo.

Agora é hora de colocar mãos às obras e aumentar a corrente dos que acreditam em futuro melhor. É a hora dos cidadãos, cidadãs, crianças, jovens e adultos exigirem o respeito e cuidados com nossa casa comum – o Planeta Terra.

Nota dos autores

Os leitores poderão corrigir falhas e assim contribuírem para o esforço de preservação da vida em nosso planeta, nossa casa.

Por favor, remetam-nos suas considerações para que possamos expurgar as falhas eventuais e enriquecer o conteúdo.

Os Autores

  1. Este é um sofisma. Alguns países produzem muito mais do que consomem, e exportam. Outros, por pobreza, falta de tecnologia, corrupção e má gestão, muito menos. Com os conhecimentos do presente é possível produzir em cada país, o necessário para cada um, desde que o consumismo e os exageros alimentares cessem. Além de tudo, extensas áreas são utilizadas para cana e milho para fabricar combustíveis. E milhões e milhões de hectares se degradam por ano pelo mau uso. O Brasil prevê uma safra de 230 milhões de toneladas de grãos para 2019. É colheita que garantiria cerca de 3 kg de grãos cada dia no prato de cada brasileiro. Uma família de quatro pessoas, contaria com 12 kg diariamente, sem contar frutas, legumes, verduras e peixes

  2. http://www.usp.br/qambiental/tefeitoestufa.htm

  3. https://www.sobiologia.com.br/conteudos/jornal/noticia3.2.php

  4. https://exame.abril.com.br/mundo/quem-e-greta-thunberg-pequena-indomavel-do-clima-indicada-a-nobel-da-paz/ https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/02/15/no-reino-unido-criancas-faltam-a-aula-para-lutar-pelo-meio-ambiente.ghtml https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/04/pelo-clima-jovens-da-noruega-querem-parar-petroleiras.shtml

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/03/estudantes-fazem-nesta-sexta-greve-global-contra-crise-climatica.shtml

  5. Entidade de espectro mundial fundada em 1945, dela fazem parte todos os países do nosso Planeta. É a nossa esperança de dias melhores. Os propósitos das Nações Unidas são: i. Manter a paz e a segurança internacionais; ii. Desenvolver relações amistosas entre as nações; iii. Realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; iv. Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a consecução desses objetivos comuns. https://nacoesunidas.org/conheca/principios/

  6. http://www.senado.gov.br/NOTICIAS/JORNAL/EMDISCUSSAO/rio20/a-rio20/conferencia-das-nacoes-unidas-para-o-meio-ambiente-humano-estocolmo-rio-92-agenda-ambiental-paises-elaboracao-documentos-comissao-mundial-sobre-meio-ambiente-e-desenvolvimento.aspx

    https://www.colegioweb.com.br/biologia/conferencia-estocolmo-1972-debate-meio-ambiente.html

  7. http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Meio-Ambiente/declaracao-de-estocolmo-sobre-o-ambiente-humano.html

  8. No Brasil http://www.brasil.gov.br/noticias/meio-ambiente/2010/11/painel-intergovernamental-sobre-mudanca-do-clima-ipcc

  9. https://nacoesunidas.org/acao/meio-ambiente/

  10. http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris

  11. https://www.dw.com/pt-br/cientistas-da-ue-exigem-prote%C3%A7%C3%A3o-ambiental-para-com%C3%A9rcio-com-brasil/a-48493292 https://www.bbc.com/news/science-environment-48054443

    https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/04/26/ministro-rebate-cientistas-que-pedem-a-europa-que-relacao-com-o-brasil-seja-condicionada-a-protecao-ambiental.ghtml

  12. www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global https://pt.wikipedia.org/wiki/Agenda_21

Posted by brasil2049

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *