AUTORES

 José Fantine, Manfredo Rosa

Em função de tudo que vem sendo considerado no Site Brasil2049.com aos autores ocorreu a associação com a antiga e bem conhecida história de Pirro, rei de Épiro, região noroeste da Grécia. Lutando contra a expansão do então florescente império romano, cada vez mais suas vitórias se davam em circunstâncias e resultados muito desfavoráveis. Ao final de uma delas o rei teria avaliado que “outro êxito assim o arruinaria completamente”. A partir daí “vitória de Pirro” atravessou o tempo com o significado de sucesso obtido a alto preço, levando a prejuízos irreparáveis.

O paralelismo pode se estender à história da formação da Petrobras. Ela montou uma festejada narrativa de sucesso, desenvolvendo capacitação e riqueza ao longo de quase sete décadas. Um imenso e invejável montante de estrutura operacional e de reservas de petróleo. Nesse caminhar, disseminou crescimento tecnológico e gerencial por todo o Brasil, a par de invejável comprometimento com sua responsabilidade social. Nossa “Magna Grécia” se fez destacar “na arte e no engenho” impondo respeitável presença, reconhecida mundialmente.

Essa análise comparativa pode alcançar também os métodos envolvidos para a “decantada vitória”. Pirro teria se envolvido nas batalhas a partir de orientação de oráculos (o mais famoso, de Delfos, bem próxima). No Brasil de agora também são muitas “as visões”, os carmas, os mantras que disseminam orientações não necessariamente favoráveis à sobrevivência da empresa. Por exemplo, um “guru” teria dito que “a liberação das vendas das refinarias pode salvar a Petrobras”. Outro teria afirmado que “o povo ganhará com a concorrência que virá”.

A vitória citada pode ser do governo, e dos atuais dirigentes da Estatal. Eles não mediram esforços em operação de monta, envolvendo figuras do primeiro escalão, visando assegurar essa conquista. Mas, para a Petrobras enquanto empresa o significado é bem outro: o da vitória pírrica. E tal como aconteceu no mundo helenístico, os tempos seguintes serão marcados pela inevitável perda de espaço na atuação da Estatal e de retrocesso no seu conhecimento. Uma diferença é que agora se dará em velocidade bem maior, de acordo com a pressão das mudanças do mundo moderno. Mas o final é o mesmo, chegar à condição de simples referência a glórias passadas, ao orgulho de ter sido fomentador de desenvolvimento do mundo à sua volta. E o povo brasileiro, tal como na Grécia, ficará a ver “navios romanos, vindos de longe, dominando tudo e impondo suas condições”.

Não foi vitória da empresa, muito menos do Brasil. Corrija-se. Os louros cabem ao capital internacional sempre ávido de lucros onde possível. De passagem recebem medalhas os seus feitores aqui instalados, representantes de seus interesses.

As nações perecem por falta de conhecimento e por tenebrosas transações. A “derrota nacional” ainda será escrita.

Posted by Brasil 2049

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