Diagrama

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Haverá no infinito espaço sideral, em suas distantes galáxias, paisagens tão belas como as que emolduram as Trilhas mineiras de onde vêm nosso gostoso queijo de leite cru? “Sei não, muito difícil, nunca ouvi falar!”

Capítulo VII – Parte 1 – Aptidão paisagística:
seriemas e veredas

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Desenho de uma pessoa

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A nossa exuberância: relevo, fauna e flora.

O ar é puro.

Lindo este sertão onde o nosso excelente QMA do Oeste fixou residência. Tentaremos descrever suas maravilhas. Uma visão pessoal, seduzida, cativa e, por certo, rarefeita nas limitações de um leigo. Um atrevimento gastar tinta minuciando impropriamente tanta boniteza. O que não seriam essas pálidas imagens caso contassem com o preparo e a inspiração de Euclides da Cunha – maravilhosas páginas escreveu em “Os Sertões”, mesmo discorrendo sobre “a terra escassa”, “o traço melancólico das paisagens” encontrando emoção em meio à “flora de existência deprimida, rara, em natureza torturada”). Contentemo-nos com umas pinceladas em alguns expoentes naturais, e, algo sobre destinos turísticos, os mais badalados e alguns não tão conhecidos, porém, dotados de potencial, pela sua atração em gosto ecológico.

Campo com montanhas ao fundo

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Uma vista do sudeste do “nariz” mineiro

A região compõe-se de muitos maciços e chapadões, várzeas e serras, onde se espreguiçam os campos, os cerrados e algumas matas que vão revestindo os baixios resfriados, as beiradas dos cursos d’água, os talvegues e os fundos úmidos. Em belas e ricas combinações desses elementos, nosso cantinho monta inumeráveis cenários, sem repetir, inventando a cada momento uma nova pose. Uma exibição!

A água jorra à vontade, do “ribeirãozinho à-toa, corguinhos de nada, chitados aqui e ali de mimoso cascalhindo de toda cor…”[1] aos bem nutridos caudais, esplêndidos, pavoneados. No tempo das águas, as estradas são cortadas por enxurradas, a terra empapa, a linfa poreja nas pegadas dos animais. As cachoeiras espumam “prá tudo quanto é banda”, difícil fazer as contas (ou “é bão dimais da conta”). [2]

Rio com árvores em volta

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Rio Araguari próximo à nascente – Esse é nosso.
Vigia as queijeiras de 16 municípios

Iniciando a viagem pela parte sul, desfrutamos da região ecoturística de Capitólio até Sacramento, com a impressionante dupla de colossos, coisa de se admirar perdidamente: as irmãs gêmeas Canastra e Babilônia.[3]

O papel-título desta maravilhosa encenação é desempenhado pelo Parque Nacional da Serra da Canastra, criado em 1972, após “intensa movimentação da sociedade civil”. Escreveram na época: “Aquele santuário ambiental será fechado a sete chaves” resguardando suas belezas. Com 72 mil ha de área, abriga 30 cachoeiras, a maioria delas composta de várias quedas, duchas e piscinas naturais. Um desaforo! O livro “Canastra: cores e valores” ostenta logo no início uma maravilhosa tomada da Serra, em grande angular. [4] De cair o queixo.

A vida é festejada intensamente cada dia, em ultrajante opulência. Um abuso! O imenso platô e suas generosas encostas abrigam milhares de espécies, animais e vegetais. A aparência mais simples, um tanto despretensiosa, esconde uma biodiversidade impressionante. A sensação é de se encontrar dentro de um bio-dome.

Os amplos espigões, ondulados, presenteiam com incríveis visadas de larga amplitude. Quem os admira se sente recompensado, recomposto, oxigenando tudo, os pulmões e o sangue, desintoxicando a mente. Passeando por ali é difícil resistir à tentação de pipocar muitas fotos. Quando se pensa ter visto algo esplendoroso, logo à frente apresenta-se uma nova pintura. Um despropósito, um despautério!

Os cerrados e os campos rupestres estão cobertos de vegetação de pequeno porte, rica a não mais poder. Um disparate! As plantas são muitas. Uma referência é a arnica, de infusão milagrosa nos efeitos sedativos e curativos dos hematomas.

O reino animal exibe mais de um milhar de espécies, esnobando, por exemplo, o tão reverenciado Pantanal. No inverno, seco, contam-se às dúzias as seriemas, a Cariama cristata. Esse nome cadenciado, musicado, afina-se ao seu estridente canto em dueto, em agoniada escala descendente verdiana. Andam em duplas, iniciam corrida desajeitada pelas estradas à frente do veículo até resolverem se esconder escapando macega adentro. O capim ressequido favorece a camuflagem.

Muito oportuno (e deveras importante) destacar uma espécie da avifauna: o pato mergulhão. É um bichinho bonito de doer! “Escabriado”, mas não o suficiente, pois se encontra sob risco de extinção. Este seu abrigo é talvez o último lugar no mundo onde pode ser visto com certa facilidade. O livro “Serra da Canastra — Tesouros naturais do Brasil” exalta-o à condição de “morador ilustre”.[5]

Pato nadando na água

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O encantador Pato Mergulhão e seu “rabo de galo” característico.
(Este feliz e cintilante registro fotográfico foi gentilmente cedido por Sávio Bruno – professor e pesquisador)

Na internet se lê que restam menos de 250 indivíduos desta linda ave tentando subsistir em algumas áreas do Brasil: nos limites norte do Estado de Goiás, junto à tripla “fronteira” Tocantins-Maranhão-Bahia e nas nascentes do Rio São Francisco. O maior grupo, com cerca de 100 indivíduos, estaria na Serra da Canastra.

Aqui e ali somos presenteados com as quedas d’água nos talvegues, com as grotas dos capões exuberantes e as planuras graciosas, imensos canteiros em um extasiante festival de tons de verde.

No alto do baú, quando chegam as águas das chuvas do verão, pode-se alegrar a vista diante de dezenas e dezenas de veredas, em toda a usa graciosidade. Pecado que Monet não conheceu essas graciosidades.

Lago com árvores em volta

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“… pela vereda tropical, só me resta recordar”, diz a canção.

O berço oficial do Rio São Francisco acomoda-se em uma pequena área empapada do Chapadão da Zagaia. Cabe ao município de São Roque de Minas o título honorífico de terra natal.

Rio com pedras e árvores ao fundo

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Nascente do Rio São Francisco – Improvisação turística
Ao lado há uma imagem do Santo.

Divagando. Muitas vezes nomeamos coisas e lugares sem adotar critérios mais rigorosos. Prevalece uma definição histórica, perdida no tempo, na vontade empírica, não atentando aos preceitos ou regras. É o caso aqui. Existe outra nascente do São Francisco: a do Rio Samburá. Esta deveria ser a oficial, a real, porque ele percorre 147 km e se apresenta com uma vazão de 16,6 m3/s no seu encontro com o “Chico”, enquanto este cumpre somente 98 km desde o nascedouro lá nos topos do Baú e aporta apenas um terço desse volume. Alguns apreciam dizer que ele exibe duas naturalidades, a histórica e a geográfica. Ainda bem. Quanto mais características, ou confusão, mais profícuo é o espaço de exploração turística. O Samburá vem à luz no município de Medeiros. Então, essa terra pode incorporar como atração o nascimento geográfico do famoso rio, com direito à imagem do santo ecológico, carrancas, educação ambiental e tudo mais a encorpar referências ecoturísticas.

Minha passagem pelo Parque em fevereiro de 2011 se deu em mais uma das idas ao sertão na realização das entrevistas, conhecer lugares, apor registros. Em uma das estradas de chão batido, após saltar o Rio Araguari, uma pancada forte em uma “panela” cobrou o preço pouco adiante: na descida de serrinha, “a roda estava no chão”. Colocado o estepe segui em frente, passei pela localidade de São João Batista, junto ao pé do paredão norte do Baú. Para meu desalento o único borracheiro disponível fora até à cidade, acudir um filho achacado. O funcionário da portaria ainda alertou quanto às condições da estrada (em dois pontos ela praticamente inexistia). Pois então, sem botar juízo, me atirei em uma visível temeridade. No afã de desenvolver o trabalho, esqueci-me da minha condição de idoso e incorri em terrível imprudência: sem pneu de reserva, viajando sozinho, resolvi galgar o íngreme acesso e, ainda que ressabiado, adentrei o imenso e solitário chapadão do parque. À minha frente, mais de 40 quilômetros esburacados, no platô isolado, completamente desabitados até São Roque, não se via um único filho de Deus, em plena quarta-feira. “A sugestão irresistível de bandeirante”. Se algo acontecesse, sei lá, ir embora outro pneu, o carro “enguiçar”, eu teria que me haver com uma caminhada, agora com sol a pino, transitando sozinho por aqueles altos, ermos, de fauna preservada, lobos, uma solidão amedrontadora, cenário envolto em relatos de pessoas que desapareceram misteriosamente e nunca mais foi encontrada. De uma delas, nem ao menos acharam o vistoso chapéu que usava. Hefesto me protegeu.


O “Chico”, Opará, em tupi-guarani, nasce a 1.428 m de altitude. Cerca de 1/3 dessa descida ele cumpre nos primeiros dez quilômetros, incluindo o salto de 400 metros despencados paredão abaixo. (Nesse trecho inicial, passa por Vargem Bonita, detentora do título de primeiro centro urbano banhado pelo importante rio). Esse grande despencado é a maravilhosa Casca D’Anta, em queda desdobrada. O segundo salto, ostentando 200 metros de imponência, é um dos maiores do Brasil. Saint-Hilaire, detalha mais: “Para se ter uma ideia de como é fascinante a paisagem ali, o leitor deve imaginar estar vendo em conjunto tudo o que a natureza tem de mais encantador — um céu de um azul puríssimo, montanhas coroadas de rochas, uma cachoeira majestosa, águas de uma limpidez sem par, o verde cintilante das folhagens e, finalmente, as matas virgens, que exibem todos os tipos de vegetação tropical”. Depois dele a mineração de diamantes deixou algumas marcas, mas esta visão da cascata ainda se encontra bem protegida.

A Cachoeira do Cerradão é outro testemunho de que nestes arrabaldes “beleza pouca é bobagem”. Sobeja, um desatino, largueza perdulária. Ela despenca por uma encosta íngreme em caprichoso cascateado. O acesso se faz em trilha bem cuidada. Na caminhada até lá se avista ao longe a linha branca da água riscando o maciço.

Foto de uma cachoeira

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A portaria principal do Parque dista 8 km de São Roque de Minas, de estrada de terra, talco derrapante na sequidão do inverno, lama de atolar as quatro rodas nas águas de janeiro. A infraestrutura no geral ainda é precária. Enquanto o excursionismo vai se aquecendo, aguardamos a incorporação de novas facilidades e mais conforto.

Quem, em agosto de 2010, pretendeu visitar a Reserva, deu com a cara na portaria. Fechada. A sequidão do ano e o calor puseram mais lenha na temporada de queimadas, “essas selvatiquezas atravessaram toda a nossa história”. Esse “batedor sinistro devastando a terra”. A serra ardeu em chamas durante, pelo menos, duas semanas, informou o posto do Instituto Chico Mendes, em São Roque. As calçadas das ruas amanheciam cobertas de cinzas. A poeira, das estradas e das valas abertas em obras públicas, juntava forças com a fumaça e fuligem tornando o ar mais pesado ainda. Depois vem a chuva, “tudo muda, os céus se alegram, o ar refresca e se adocica, a natureza impõe contentamento”.

Parênteses. Esses incêndios podem ser, ou naturais, ou resultantes de ação humana. A intervenção antrópica se dando: por displicência (dos cigarros jogados, fogueiras de camping etc.), no utilitarismo (limpeza autorizada de pastos) e, ou maldade ou crime (que inclui justiça com as próprias mãos levada a termo por aqueles que se sentiram lesados no processo de desapropriação quando da implantação do Parque).

A paisagem não é somente a apresentada materialmente. Ela se amplia em conteúdo, incorporando a psicosfera, a constituição simbólica e social, completando o domínio do visível com todas as sensações peculiares de cada cultura. Narrando histórias, ela não se limita aos olhos, não está restrita às sensações físicas. Avança além, através dos valores, das crenças, dos símbolos, da moda, da publicidade, da legislação e da religião. Um filho, digamos, de Vargem Bonita, vê aqueles paredões com feitio diferente, não o mesmo de um visitante. São significados diversos. Iremos nos ocupar um pouco deste tema mais adiante. Continuemos nossa viagem pelo sertão.

Tomando o rumo norte, os maravilhosos espigões vão-se reproduzindo no município de Tapira. Aqui e ali aparecem mais formações, coorientadas e paralelas às citadas irmãs, compondo um triângulo com vértices aproximados em Campos Altos, Piumhi e Santa Juliana. Os cenários são amplos, magníficos. Cursos d’água em profusão. Um deles exibe recantos especialmente bonitos: é o Ribeirão do Inferno — vai saber qual a razão desse nome, nada a ver.

O Ribeirão do Inferno e o Samburá chamam a atenção. Nascem juntinhos, mas se desentendem, um “vira a cacunda pro outro” e seguem rumos opostos. “Caçando” caminho em meio às escarpas, este toma o Sudeste, enquanto aquele escolhe o Noroeste. E deve ser problema de família porque seus irmãos Araguari e Santo Antônio escrevem esse mesmo romance de separação, optando por destinos opostos. Em final feliz, todos os quatro se deram bem na vida. Cada dupla que seguiu a direção comum se uniu em parceria, e, espigando esforço único.


E tome cachoeiras, de perder a conta! A dos Bandeirantes, na citada Tapira, é um dos exemplos. Maravilhosa! E mais cascatas — a da Argenita é, igualmente, assaz bonita.

No final dessa imensa faixa de serras, aparece mais um paredão, a Bocaina, comprida, com paisagens belíssimas, a perder de vista.

Montanha com árvores

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O maravilhoso Rio Quebra Anzol, de muitas pedras,outro curso d’água contido na região

No município de Perdizes, encontram-se duas atrações. O pouco explorado e conhecido Sítio Arqueológico Inhazinha e Rodrigues Furtado, com vestígios cerâmicos e líticos da Pré-história, um dos mais importantes de Minas Gerais. E o lago da hidrelétrica de Nova Ponte (seu braço norte) represando o Rio São João (continuação do Rio Quebra Anzol). Ranchos e pousadas, vão consolidando um polo turístico.

Caçávamos perdizes por ali. Um primo da capital e eu. Cometêramos a imprevidência, e a temeridade, de pegar emprestado um cachorro renomado, caríssimo, sem autorização do dono. Desses que entendem tudo, sabem como campear e encontrar as aves. Um mestre.

Uma imagem contendo marrom, foto, deitado, cachorro

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Já no cair da tarde, dirigíamos espigão acima, com o sol brilhante contra o rosto. O Najá amarrou, estacando firme como uma estátua (os doutores no assunto fazem assim. Avisam a presença e aguardam a aproximação do dono). Cabeça, tronco e rabo se alinham. A base da cauda fremente, mina sangue de tensão.

Ato contínuo, Najá deu um passo e olhou para um pouco à esquerda. Mais um passo e tornou a virar a cabeça para o mesmo lado.

Fazendo gestos avisei ao companheiro: são duas, casal, você atira na que está do seu lado e eu na outra”.

Mais três passos e a revoada, o balburdio, frenético estrondear de asas e sol se misturando no horizonte, o galope do perdigueiro, os estampidos…

O coração saltou da boca. – Jaime, atingimos o Najá. O sol prejudicara a visão.

Mais um pouco o temor se confirmou. O mestre voltava caminhando com a boca ensanguentada e claudicando como que se ferido na perna. Que dizer em casa? Como seria com o dono do doutor Najá?

Quando chegamos mais perto é que pudemos apreciar toda a maravilha da natureza, até onde pode ser competente um animal.

O sangue era da ave ferida que trazia na boca, e não mancava mas sim vinha empurrando a outra com a pata direita.


Quando narro esse sucedido, as pessoas se entreolham, estranhadas, deitando dúvida. Não dispõem de liberdade suficiente para pelo menos admitir todas as possibilidades das maravilhas da natureza.

Ora, as mentes puras e singelas, do berço ao túmulo, conseguem preservar o sopro infantil. As consciências que não perderam a capacidade de sonhar, sabem vivenciar, com sabedoria e intensidade, as aventuras das utopias, das fantasias. Os corações desataviados, sempre oxigenados pelos ventos da liberdade, não juntam vínculos obrigatórios com o mecanicismo e o pragmatismo desse mundo. Enfim, os estremes, certamente não questionarão. O mito, o totem e o tabu, não por acaso, são formações sociais, culturalmente condicionadas, legitimamente obtidas na necessidade de solução de problemas vivenciais do grupo? E eles não são bem aceitos por todos?

Aqueles que conseguem plantar oásis em meio a tanto consumismo do tempo atual, os que sabem soltar a imaginação, apesar de se encontrarem imersos em tanta mercadoria, os puros de coração, alçam voos nas experiências fora do corpo, apesar de tanta matéria à sua volta, aqueles ainda que distinguem ligações entre as coisas, não obstante o pontilhismo do momento atual da compra. Aqueles que acumulam riqueza na alma e conseguem escapar da nostalgia do descarte do obsoleto, da mesmice da rotina repetitiva, são as pessoas capazes de perceber muito bem cada árvore, mas prestam mais atenção na magia da floresta. Estes, seguramente, saberão tirar mais proveito das estórias, enriquecerão o mundo imaginário, compondo quimeras, estabelecendo utopias. A verdade, tal como as artes, depende dos olhos de quem a vê. Talvez seja por esta via que Jesus Cristo, tão logo realizava milagres, impunha a eles a ruptura com a natureza material, submetia a constatação real ao poder do espírito e afirmava: “- Tua fé te salvou”.

Mais à frente, trataremos do tema “Turismo”. É precisamente isto que se quer dizer quanto são citadas as condições favoráveis à recreação em geral: as pessoas se libertarem, livrarem-se das amarras. Não sendo assim, passar as férias em casa dá no mesmo. E fica mais em conta.

Retomemos a viagem através deste tão generoso chão e de sua oferenda, sua benção, o bom queijo mineiro, artesanal.

Na fronteira noroeste escorre o Rio Bagagem, muitas histórias, e mais uma deslavada tendenciosidade da natureza depositando o que tem de mais cobiçoso. Dessa as barrancas saltaram os mais fabulosos diamantes brasileiros, o maior deles, o “Cruzeiro do Sul”, pulsava 254,5 quilates de estonteante beleza.

Nessas redondezas, mas fora dos limites da área sob foco, encontra-se Romaria, quase sesquicentenária nos festejos religiosos em honra de Nossa Senhora da Abadia (da Água Suja, esse era nome antigo).

Deste ponto, seguindo rumo ao setentrião, o cenário se modifica um pouco dando lugar às veredas com seus buritis. É uma paisagem delicada, sensível. Infelizmente, a agricultura vai invadindo esses sistemas. Os pivôs de irrigação aos poucos vão dominando o ambiente. Quem quiser ver a formatação original deve se apressar.

Texto

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“Subindo” mais um pouco, surge a Serra do Salitre, abonada em minerais. Um dos livros lidos fala em chaminé diamantífera, riqueza pouca é bobagem. E tome um não mais acabar de vistas, belíssimas, muitas cachoeiras. Uma delas, bastante interessante, despencando de afloramento rochoso, tem batismo estranho: do Diabo. Serra Negra, distrito de Patrocínio, é famosa pelas excelências de suas águas minerais. Alguém investiu em hotelaria, mas não conseguiu muito sucesso.

Junto à Guimarânia desenha-se um chapadão circular. Toda a área do topo está antropizada, na exploração agrícola. Deve ser uma dessas “chaminés” existentes na região, copiosas em nutrientes. Espaço de muito proveito. E bonito deveras, com lagoas, vistas amplas: excelentes caminhadas. Tem hotel, mas, parece, com funcionamento descontinuado.

Experimentei duas emoções ao passar pelo lugar. De pronto, a ampla e apaixonante vista da chegada, divisando a planura com a cidade junto ao pé do belíssimo platô citado. Depois, na rua principal, chamou a atenção a semelhança incrível com o registro de viagem recente a Portugal. Vejam os leitores como se parece com Vila Viçosa, no Alentejo. A menos da fiação, é claro, pois que por aqui não temos “vontade política”, cuidando da aparência de nossas cidades.

Vila Viçosa (Portugal) e Guimarânia (MG) – Fotos do Autor

No extremo nordeste do sertão domina a Mata da Corda, uma agigantada cadeia de montanhas plantada desde a Serra da Saudade até São Gonçalo do Abaeté. Três rios perfilam lado a lado no sentido sul – norte, cortando toda a região: Abaeté, Borrachudo e Indaiá. No final, a parte oeste pertence à Estação Ecológica de Pirapitinga, das águas da represa de Três Marias, vizinha, mas fora do circuito do nosso interesse.


Na segunda Parte deste Capítulo veremos “As atrações turísticas de cada cidade e os desafios”.


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Ver o capítulo VI

Capítulo VII, Parte 2


Caro(a) leitor(a)

Notícias

O Potencial turístico do Queijo Minas Artesanal.

Segundo a coordenadora técnica estadual da Emater-MG, Maria Edinice Soares… “Com a visita dos turistas às queijarias, o produtor acaba ganhando mais no seu produto, pois diminui os gastos com transporte e deslocamento”, destaca. “Hoje temos algumas agências de turismo que montam grupos e fazem visitas agendadas. São momentos que o produtor está ali preparado com a família dele pra receber o turista, em um ambiente propício na queijaria. Com isso o turista acaba comprando o queijo ali”, explica (Ciência do Leite, 23/6/2021).

Observação do Site: Neste capítulo VII tratamos, como visto, também do turismo. Estão anotados os grandes proveitos que o ecoturismo (trilhas, camping, esportes radicais, eco gastronomia e outras lternativas) podem beneficiar o produtor rural. Ambos, visitante e anfitrião, literalmente, “juntam a fome com a vontade de comer”.

Rota do Queijo Artesanal no Triângulo Mineiro é composta de quatro fazendas. Turistas vão poder acompanhar todo o processo de produção da iguaria.

A Rota do Queijo Artesanal no Triângulo Mineiro foi oficialmente criada neste sábado (25), e o objetivo é estimular o turismo rural associado à gastronomia e, principalmente, divulgar o queijo feito na região. A iniciativa é resultado de um trabalho entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), as famílias produtoras e a Associação de Produtores de Queijo Minas Artesanal do Triângulo (Aqmatri). (Itatiaia: 26/9/2021).

Observação do Site: Uma excelente notícia. A região com reconhecimento mais recente sai à frente e começa a montar “a Estrada Real” do QMA (falamos sobre isto neste capítulo). A Emater, mais uma vez, presente. Que dezenas de outras trilhas sejam institucionalizadas


NOTAS

  1. Tomando emprestado de Mário Palmério, o mais conhecido escritor do Sertão da Farinha Podre.

  2. A metade norte da região do Cerrado, já fora da Bacia do Rio Paranaíba, é um pouco mais seca, de vegetação mais rala, característica daquele bioma.

  3. Capitólio tem se sobressaído com a exploração dos maravilhosos cânions do lago de Furnas. (Infelizmente palco de tragédia em janeiro de 2022). É o turismo carente de cuidado, demandando regulamentação rigorosa.

  4. Cf. CÂMARA, Tudy; MURTA, Roberto. Canastra, cores e valores. Belo Horizonte: Bicho do Mato, 2010.

  5. Cf. SILVEIRA, Luís Fábio; SILVA, Robson. Serra da Canastra, tesouros naturais do Brasil. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2006.

Posted by Brasil 2049

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